Blog criado como recurso didático pedagógico. É utilizado para as disciplinas análise criminal e gestão estratégica em segurança pública do curso de especialização em gestão integrada da segurança pública, para o Curso de Análise Criminal da SENASP e para o Curso de Agente Prisional de SC e como espaço participativo os profissionais de Segurança Pública
Bem vindos ao espaço colaborativo de Segurança Pública!.
Este espaço é para incentivar a preparação e publicação de artigos em eventos destinados a publicação científica.
O intuito é que se apresentem ideias e se construa de forma compartilhada, com ajuda de críticas e sugestões dos colaboradores, artigo para posterior envio para congresso, seminários, workshops e revistas especializadas.
Os conteúdos aqui postados devem ser exclusivamente para o enriquecimento intelectual e não se ater no cunho político partidário ou ofensivo a condução das políticas públicas de segurança. O objetivo principal é propor soluções e não o simples rechaçar.
Obrigado!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
O sistema IDSeg congrega um conjunto de ferramentas tecnológicas com
recursos que possibilita a coleta, a integração e o armazenamento de
dados e informações de diversos repositórios e realiza a disponibilidade
delas em uma base de conhecimento que poderá ter seus dados e
informações analisadas.
Este sistema foi analisado para ser o motor de inferências do modelo para criação da Base Nacional de Conhecimento da SENASP.
O aumento significativo do volume de dados a serem analisados e, com o crescente número de bases de dados existentes nas organizações, muitas vezes, em localidades distintas, ficaram evidentes algumas situações indesejáveis:
Dificuldade em acessar informações armazenadas em diferentes tecnologias de bases de dados;
Inexistência de software que permitisse analisar visualmente conteúdos oriundos de várias fontes de informações;
Demora na identificação de possíveis dados duplicados nas diversas bases de dados, tais como: pessoas, telefones ou veículos; e,
Necessidade de realizar consultas separadamente em diversos sistemas de informação, com diferentes formatos, gerando, por exemplo, demora e dificuldade de obter a informação desejada.
O i2 foi desenvolvido norteado por sugestões de investigadores de diversas partes do mundo, justamente para atender à estas necessidades identificadas como fator crítico para o sucesso nas resoluções de casos complexos.
O IpeaGEO é um software desenvolvido pela Assessoria de Métodos
Quantitativos da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanos e Ambientais do Ipea.
Ele funciona como uma ferramenta gratuita de análises
estatísticas, voltada especialmente a análises espaciais. A inclusão
de técnicas espaciais consolidadas e foco no território nacional são
alguns dos diferenciais do programa. Faça o download e participe do
Fórum de Discussões sobre o IpeaGEO.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Um novo estudo feito pelo Conselho Mediterrâneo de Estudos de
Inteligência (MCIS) no Almanaque de Estudos de Inteligência de 2012
atenta para o uso dos medias sociais como “a inovação em inteligência
tática de captação aberta de informações”. Joseph Fitsanakis da
IntelNews.org, co-autor do estudo, declara:
Sustentamos que o Facebook, o Twitter, o YouTube e uma série de outras plataformas de redes sociais
são cada vez mais consultadas por agências de inteligência como
inestimáveis canais de aquisição de informações. Baseamos nossos
resultados em três estudos de caso recentes, os quais, acreditamos,
destacam a função da inteligência em relação às redes sociais. (Joseph
Fitsanakis, Pesquisa: Cada vez mais espiões usam Facebook e Twitter para
coleta de informações, intelNews.org), 13 de fevereiro de 2012. [1]
Porém, o que o estudo não menciona é o uso dos medias sociais feito
por agências de inteligência para outros fins. A investigação nos leva a
acreditar que os media sociais são somente um instrumento de captação
de informações da inteligência, quando na verdade, um número de
declarações mostrou que é utilizada para promover propaganda, inclusive
para criar perfis falsos para dar suporte a operações secretas.
Estas práticas são discutidas no Exército de Fakes de Mídia Social
para Promover Propaganda, Mídia Social: Força Aérea Encomenda Software
para Monitorar Exército de Fakes Virtuais e Pentágono Busca Manipular
Mídia Social para Fins de Propaganda [2] , publicados no Global Research
em 2011. O estudo do MCIS se baseia parcialmente no contexto da
“Primavera Árabe”, o qual supostamente instigou o governo americano a
desenvolver diretrizes para inteligência de coleta de informações a
partir de redes sociais” [3] .
Novamente, não se considera que o governo americano oferece “treinamento de liderança”
para estrangeiros desestabilizarem seus países de origem. Esta tática
está descrita em detalhes no último artigo de Tony Cartalucci, Egito:
Ativistas Financiados pelos Estados Unidos sob Julgamento: “Promoção de
Democracia” Americana = Sedição Internacional [4] .
A “cyber dissidência” é financiada, dentre outros, pela
Freedom House, vinculada à CIA. O primeiro dos eventos da Human Freedom
do Instituto Bush, co-financiado pela Freedom House, foi intitulado “Conferência sobre Cyber Dissidentes: Resultados e Desafios Globais”.
A conferência sobre cyber dissidentes destacou o trabalho,
métodos, coragem e conquistas dos oito palestrantes dissidentes
convidados, de sete países. Cinco desses países são regiões onde a
liberdade foi extinta (todos avaliados como “não livres” pela Freedom
House: China, Cuba, Irã, Síria e Rússia). Os outros dois países são
regiões onde a liberdade está em perigo (ambos avaliados como
“parcialmente livres” pela Freedom House) por causa de um governo
autoritário que acumula mais poder, como na Venezuela, ou por causa da
ameaça de grupos terroristas internos, como na Colômbia. (Conferência
sobre Cyber Dissidentes: Resultados e Desafios Globais, Centro Presidencial George W. Bush) [5]
Países onde a “liberdade foi extinta” e que são aliados americanos,
tais como Barém ou Arábia Saudita, não são listados acima. O único
aliado americano listado é a Colômbia e considera-se que sua liberdade
está ameaçada por grupos terroristas, e não por seu governo.
Vale dizer que o governo colombiano foi acusado de espionar seus
jornalistas e que a Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos (IACHR)
declara que a liberdade de expressão ‘quase não existe’ na Colômbia.
O objetivo do “treinamento de liderança” feito por ONGs americanas é o
de desestabilizar os inimigos políticos da América em nome da
liberdade. A “cyber dissidência” é, por sua vez, utilizada por agências
de inteligência para operações secretas.
Notas
[1] Joseph Fitsanakis, Research: Spies increasingly using Facebook, Twitter to gather data , intelNews.org, 13/fevereiro/2012.
[2] Army of Fake Social Media Friends to Promote Propaganda , Social
Media: Air Force ordered software to manage army of Fake Virtual People e
Pentagon Seeks to Manipulate Social Media for Propaganda Purposes.
[3] (Ibid.)
[4] Egypt: US-funded Agitators on Trial: US “Democracy Promotion” = Foreign-funded Sedition.
[5] The Conference on Cyber Dissidents: Global Successes and Challenges, The George W. Bush Presidential Center.
O crescente peso do Brasil
no cenário internacional exige uma reestruturação de seus serviços de
inteligência, inclusive no que diz respeito ao acompanhamento de fatos e
tendências que ocorrem fora do país. O alerta foi feito nesta
segunda-feira (2), na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional
(CRE), por especialistas que participaram do painel “A importância da
atividade de inteligência para o Brasil, sua diplomacia e suas Forças
Armadas: causas de seu fracasso em prever movimentos populares no mundo
árabe”.
Para lembrar a importância dos serviços de inteligência, o presidente do Capítulo Brasil da Associação Internacional de Analistas
de Inteligência de Segurança Pública, o professor Denílson Feitoza,
lembrou que o Brasil possui uma das maiores reservas de água doce no
mundo e que, até 2050, 45% da população mundial terá menos água do que o
necessário para viver. Ele questionou até quando o mundo vai aceitar
que o Brasil permita a contaminação de seus mananciais.
Partindo-se do fato que organizações criminosas são comandadas de dentro do sistema penitenciário e do principio que o crime organizado não se extinguirá após algumas operações policiais, nos vemos em uma situação em que precisamos de informações corretas e confiáveis para balizar um plano de ações voltado à desmobilização da estrutura e articulação do crime organizado.
Para que isso ocorra necessitamos transformar os dados existentes nas informações para tomada de decisões corretas. Para Sianes (2005, p.259) dados são a forma primaria de informação. São fatos, tabelas, gráficos e imagens, etc. que não foram processados, correlacionados, integrados, avaliados ou interpretados e sem sentido em si mesmos. Segundo Fernandes (2006 p.11) informação é a matéria-prima para a produção de inteligência, utilizada em apoio ao processo de tomada de decisão.
Com o comprometimento das partes envolvidas, na tarefa de garimpar dados que possam alimentar um sistema de processamento, que irá tratar de forma eficaz a informação e em seguida transformá-la em inteligência que possa se converter em ação efetiva de combate ao crime organizado estaremos seguindo ao ponto em que mais nenhuma operação criminosa será comandada de dentro de prisões. Onde o sistema penitenciário poderá fazer seu propósito de recuperar cidadãos.
Como se pode perceber nos fragmentos anteriormente postados
(Organizações Criminosas, O crime na América Latina e O crime no Brasil), as
organizações criminosas muito se assemelham, sejam nas formas de atuação junto
aos governos, sejam nas formas de condução dos negócios criminosos ou nas
formas de traçar alianças estratégicas, entre outras. Como o caso da Máfia
Siciliana na Itália, a Yakuza no Japão, o Cartel de Cali na Colômbia e o PCC no
Brasil, onde já ocorreram formas de atuação muito parecidas, por meio do
enfrentamento do Estado.
O assistencialismo promovido pelo PCC no Brasil às pessoas
de baixa renda que necessitam de condições básicas (transporte, saúde,
“segurança” e alimentação) providenciado pelo grupo criminoso em algumas
comunidades tem o intuito de angariar adeptos a sua causa. Tal como já fizera o
Cartel de Cali na Colômbia e outras organizações criminosas no mundo.
Assim, o crime organizado se descaracteriza de “lobo e
coloca pele de cordeiro” agindo onde o estado deixa espaço e buscando novas
formas de atuação. No estilo Robin Hood, tirando dos ricos para dar aos pobres.
Podemos perceber que estão tentando uma espécie de
legitimização de suas ações entre as camadas mais pobres da sociedade.
Inclusive com palavras de justiça, liberdade e paz como forma de sensibilizar e
chamar a atenção para tirar o foco do fato de que é uma organização criminosa
que ganha dinheiro à custa da sociedade trabalhadora. Claro que com uma nova
forma de atuação, se utilizado dos benefícios da era tecnológica e de uma
organização comparável à empresarial.
Eles têm a voracidade do mundo dos negócios em seu íntimo,
pois no mundo dos negócios é assim: “olho por olho, dente por dente”. Afinal,
no submundo do crime não é diferente.
Além disso, a criminalidade brasileira é um retrato da
criminalidade latino-americana e mundial, com grupos criminosos atuando no
tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, assaltos, seqüestro e aterrorizando a
população.
O fornecimento está orientado pela demanda que cresce
assustadoramente, principalmente entre os jovens, desde as classes mais baixas
até as mais altas.
A brutalidade e selvageria do crime organizado, que age
atacando e assassinando policiais, agentes penitenciários, juízes, promotores e
políticos, figuras que simbolizam as instituições governamentais e a força do
estado. Isto faz com que se estabeleça um ambiente de insegurança e incerteza
por parte da população e do próprio estado que se vê incapaz de lidar com essa
nova forma de atuação criminosa.
Como foi dito, o crime organizado adquire novas formas de alcançar
seus objetivos, acompanhando as evoluções da era da informação e se valendo do
conhecimento e experiências, incorporando novas formas de atuação, digna de
grupos revolucionários ou grandes corporações multinacionais.
Desta forma, como combater o crime organizado se, em plena
era da informação, as regiões estão desconectados? Ou seja, as bases de dados
dos criminosos somente são consultadas nas suas regiões e estados de
origem.Isto quando as vaidades entre as
instituições não dificultam o acesso às informações dos criminosos. O crime
está em rede, mas os estados e países não. E este é apenas um dos muitos
problemas a serem enfrentados.Senão
vejamos.Para analisar um fenômeno é
necessário mensurar de forma correta seus impactos, colhendo o maior número de
informação possível sobre o assunto em questão, porém as coletas dos dados
pelas instituições são na sua maioria imprecisas. Isto por que não há uma
metodologia padrão, a ser aplicada por todos os estados.
Para corrigir esse problema a Secretaria Nacional de
Segurança Pública precisa padronizar as informações, criando uma base nacional
de dados estatísticos sobre os crimes dos estados. Isto já começou com dados
estaduais enviados a partir do ano 2000, mas sem grande sucesso no começo,
devido à baixa qualidade dos dados.Contudo, o envio sistemático dos dados está criando uma base sólida para
ser analisada por vários estudiosos. Ter dados e informações confiáveis para
serem trabalhados corretamente é o principal fator para que se desenvolver análises
criminais confiáveis.